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Idoso ou NOLT?

O termo, ou eufemismo, “melhor idade”, surgiu no contexto do aumento da população idosa, apresentando uma releitura mais positiva e, em certa medida, até idealizada da “terceira idade”, conceito popularizado a partir das décadas de 1960/1970 na França e consolidado nos anos 1980.

Inicialmente o que se propunha era desestigmatizar a velhice, distanciando-a da ideia de “decadência” e limitações, e focando nos aspectos positivos dessa faixa etária como: tempo livre, experiência, etc.

 

Agora um novo termo associado a essa faixa etária está rapidamente sendo disseminado nas redes sociais. Nolt é a expressão da vez e, ao longo desse artigo, explicarei melhor o que ela significa.

 

A população mundial está envelhecendo e o Brasil segue o mesmo caminho. De acordo com os dados do último censo do IBGE, cerca de 32 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais (15,1% a 16% da população), com projeção de superar 40 milhões em menos de 15 anos. Pela primeira vez, o grupo de idosos superou o de crianças e jovens, invertendo a pirâmide etária, com expectativa de que idosos representem quase 38% da população até 2070

 

Ainda há muito a ser feito, mas alguns indicadores do Brasil apresentaram avanços nos últimos anos, como a ampliação do saneamento básico e mais acesso da população aos cuidados de saúde. Cresceu também a conscientização sobre a importância da adoção de hábitos mais saudáveis, como alimentação balanceada e prática de exercícios físicos. Os tratamentos médicos evoluíram, a saúde melhorou, a longevidade aumentou.

 

Nesse cenário chegou por aqui, no final de 2025 e início de 2026, um novo conceito: NOLT — New Older Living Trend. Um termo que surgiu em outros países e em português ganhou várias traduções, entre elas: “Nova tendência de viver o envelhecimento”, “Nova forma de viver a maturidade” ou “Novo jeito de envelhecer e viver”. A expressão define pessoas com mais de 60 anos, ativas, independentes e conectadas, que rejeitam os rótulos tradicionais de “idoso” ou “terceira idade”.

 

Impulsionado pelas redes sociais, o termo NOLT ganhou força, adesão e está se disseminando rapidamente. Já é comum em rodas de conversas as pessoas com mais de 60 anos se autodenominarem NOLT, conceito que não descreve uma faixa etária, mas uma postura diante da vida. Ser NOLT não é completar 60 anos, é decidir não aposentar de si mesmo

 

Com entusiasmo e, muitas vezes, esboçando um sorriso de satisfação por se identificarem com o sentimento que o conceito carrega, essas pessoas querem viver bem e aproveitar o tempo ganho.

 

Mas quais características identificam um Nolt? Podemos elencar algumas. Nolt é uma pessoa que:

cuida da saúde física, mas também da mente e do espírito;

segue curioso, aprendendo e se reinventando;

trabalha, estuda, empreende;

planeja o futuro, mesmo sabendo que ele não é infinito.

 

Ser NOLT não é negar a idade, é recusar a desistência antecipada da vida.

É experimentar plenitude e propósito.

 

Como médico urologista, cirurgião robótico e gestor de saúde, dirijo-me principalmente aos homens, sobretudo aqueles que já passaram dos 50 anos. Você se identifica com o conceito NOLT? Quer desfrutar de vitalidade e seguir ativo com 60, 70, 80 anos ou mais?  Aqui vão algumas dicas simples e valiosas: abandone hábitos nocivos, como o tabagismo e o excesso de álcool, pratique exercícios físicos regularmente, cuide do sono, tenha tempo de lazer e não descuide de suas consultas médicas e exames. O diagnóstico precoce de eventuais doenças é importantíssimo e resulta em melhores prognósticos de cura e de qualidade de vida. Dê atenção à sua mobilidade e autonomia e também à sua saúde mental. Afinal, NOLT não é um título automático, é um objetivo, um estilo de vida.

 

Pense bem: Você está apenas torcendo para acumular mais anos ou se preparando para viver bem?

 

Convido também toda a população e as instituições para uma reflexão: o Brasil está envelhecendo. Mas só parte dessa população está, de fato, vivendo como NOLT, por ter acesso a informação e cuidados. Uma grande parcela seguirá apenas ficando velho, não pela idade, mas pela ausência de projetos públicos, cuidados essenciais e oportunidades.

 

Faça o que estiver ao seu alcance e não desista de reivindicar os seus direitos como cidadão. O conceito é novo, mas os paradigmas são antigos e muitos precisam ser quebrados.

Artigo de opinião

Dr. Frederico Moraes Xavier

Médico Uro-oncologista e Gestor de Saúde

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