Viver mais e melhor
Dr. Frederico Moraes Xavier
Já não causa surpresa encontrar um idoso correndo em um parque da cidade logo pela manhã. O turismo voltado à terceira idade é uma realidade, assim como os intercâmbios de idiomas que têm nos maiores de sessenta anos um dos grupos que mais cresce. O que está acontecendo? Será que já não se fazem mais “velhinhos” como antes?
Os números confirmam essa percepção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística¹ (IBGE) , a expectativa de vida no Brasil aumentou 11,3 meses em 2023 em relação a 2022, alcançando 76,4 anos e superando o patamar pré-pandemia (76,2 anos em 2019).
Esse crescimento não é um ponto fora da curva. Trata-se de uma tendência observada há décadas, interrompida apenas durante a pandemia. Na década de 1940, a expectativa de vida ao nascer era de 42,9 anos para homens e 48,3 para mulheres. Já em 1970, havia subido para 54,6 e 60,8 anos, respectivamente.
Estamos vivendo cada vez mais — e melhor. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), com dados de um milhão de pessoas acima de 50 anos em 41 países, revelou que nossos cérebros estão mais ativos do que os das gerações anteriores. Em 2022, uma pessoa de 70 anos demonstrava as mesmas habilidades cognitivas que alguém de 53 anos em 2000. Da mesma forma, a fragilidade física de um septuagenário em 2020 correspondia à de um cinquentão em 2000.²
O aumento da longevidade é resultado de diversos fatores: infraestrutura (acesso à água potável, saneamento básico, saúde pública), desenvolvimento de vacinas, antibióticos e outros medicamentos, avanços em técnicas e tecnologias médicas, programas de saúde eficazes e mudanças culturais. Hoje, a consciência sobre a importância de bons hábitos cotidianos é muito maior.
Apesar disso, uma realidade permanece: os homens vivem, em média, menos do que as mulheres. Isso ocorre por duas razões principais. A primeira é comportamental — eles se expõem mais a riscos, como conflitos, acidentes de trânsito e uso de tabaco. A segunda é cultural — os homens procuram menos os serviços de saúde, principalmente no que diz
respeito à prevenção. Ainda persiste um estigma: cuidar da saúde continua sendo, para muitos, um tabu.
Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo, citado pelo Ministério da Saúde³, mostra que 70% dos homens que procuram atendimento médico o fazem por influência da esposa ou dos filhos. O estudo também revelou que mais da metade desses pacientes adiaram a consulta e chegaram já com doenças em estágio avançado.
Como médico urologista, lamento esse cenário. Muitos homens poderiam viver mais e, sobretudo, com muito mais qualidade se buscassem acompanhamento médico preventivo.
A hiperplasia prostática benigna (HPB) e o câncer de próstata, por exemplo, têm muito mais chances de cura quando diagnosticados precocemente. Hoje, há diversos tratamentos modernos, que vão desde medicamentos até procedimentos minimamente invasivos, como as técnicas Holep e a cirurgia robótica.
Consultar regularmente um urologista, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, praticar atividades físicas e manter uma alimentação saudável são medidas comprovadamente determinantes para aumentar a expectativa de vida.
Não se trata apenas de prolongar a existência, e sim de proporcionar uma vida saudável sob os pontos de vista físico, mental e até filosófico. A prevenção, com mudanças de hábitos, é o caminho essencial para uma vida plena e feliz.
Legenda para a foto:
Dr. Frederico Moraes Xavier
Médico Uro-oncologista, Cirurgião Robótico e Gestor de Saúde.