Cirurgia de próstata: passo a passo e novas tecnologias
O câncer de próstata representa a neoplasia maligna mais comum entre homens brasileiros, com estimativa de 77 mil novos casos para 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Assim, diante deste cenário, a cirurgia de próstata emerge como uma das principais modalidades terapêuticas, especialmente quando o tumor encontra-se localizado.
Por fim, felizmente, os avanços tecnológicos têm revolucionado as técnicas cirúrgicas, proporcionando resultados oncológicos superiores e melhor qualidade de vida aos pacientes.
O que é a cirurgia de próstata?
A cirurgia de próstata, tecnicamente denominada prostatectomia radical, consiste na remoção completa da glândula prostática juntamente com as vesículas seminais e, quando necessário, dos linfonodos regionais. Este procedimento é indicado principalmente quando o tumor está localizado ou localmente avançado, oferecendo potencial de cura para o paciente.
Fundamentalmente, a cirurgia de próstata pode ser realizada através de diferentes abordagens técnicas. Primeiramente, temos a técnica convencional aberta, posteriormente, a laparoscópica e, mais recentemente, a cirurgia robótica. Cada modalidade apresenta características específicas, porém o objetivo oncológico permanece o mesmo: a ressecção completa do tumor com preservação das estruturas anatômicas adjacentes.
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Tipos de cirurgia de próstata

Prostatectomia radical aberta
A prostatectomia radical aberta representa a técnica tradicional para o tratamento cirúrgico do câncer de próstata. Neste procedimento o cirurgião acessa a próstata através de uma incisão na região retropúbica ou perineal. Embora seja uma técnica bem estabelecida, apresenta algumas desvantagens em comparação às técnicas minimamente invasivas.
Durante a cirurgia de próstata aberta, o médico urologista necessita de uma incisão de aproximadamente 10 a 12 centímetros. Consequentemente, esta abordagem está associada a maior sangramento intraoperatório, tempo de recuperação prolongado e maior desconforto pós-operatório. Contudo, ainda permanece como uma opção viável, especialmente em casos complexos ou quando não há disponibilidade de tecnologia avançada.
Prostatectomia radical laparoscópica
A prostatectomia radical laparoscópica revolucionou o tratamento do câncer de próstata ao introduzir princípios de cirurgia minimamente invasiva. Nesta técnica, o médico urologista utiliza de 4 a 5 pequenas incisões abdominais, cada uma medindo menos de 1 centímetro.
Através destas pequenas incisões, instrumentos cirúrgicos longos e uma câmera de alta definição são introduzidos na cavidade abdominal. Subsequentemente, a visão ampliada proporcionada pela laparoscopia permite dissecção mais precisa das estruturas anatômicas. Desta forma, a cirurgia laparoscópica oferece vantagens significativas como menor sangramento, redução do tempo de internação hospitalar e recuperação mais rápida.
Prostatectomia radical robótica
A cirurgia robótica representa o estado da arte no tratamento cirúrgico do câncer de próstata. Recentemente, em agosto de 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) aprovou a inclusão da prostatectomia radical assistida por robô na rede pública de saúde brasileira.
Na cirurgia robótica o urologista opera através de um console, controlando braços robóticos de alta precisão. Adicionalmente, o sistema robótico proporciona visão tridimensional magnificada em até 10 vezes, permitindo movimentos mais precisos e estáveis.
As principais vantagens da cirurgia robótica incluem:
- Menor sangramento intraoperatório
- Redução significativa do tempo de internação
- Preservação superior das funções urinárias e sexuais
- Recuperação mais rápida
- Menor incidência de complicações pós-operatórias
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Passo a passo da cirurgia de próstata
Preparação pré-operatória
Antes de qualquer cirurgia de próstata, uma avaliação pré-operatória completa é fundamental. Inicialmente, o médico urologista solicita exames complementares como hemograma completo, coagulograma, função renal e hepática. Além disso, exames de imagem como ressonância magnética pélvica e cintilografia óssea podem ser necessários para estadiamento adequado.
O paciente deve interromper medicamentos anticoagulantes, conforme orientação médica e manter jejum de 6 a 8 horas antes do procedimento. Simultaneamente, profilaxia antibiótica e antitrombótica são administradas para prevenir complicações infecciosas e tromboembólicas.
Tempo cirúrgico e procedimento
Durante a cirurgia de próstata, independentemente da técnica utilizada, alguns passos fundamentais são seguidos. Primeiramente, o paciente é posicionado em decúbito dorsal com leve inclinação (posição de Trendelenburg na laparoscopia e robótica).
O procedimento inicia-se com a dissecção cuidadosa dos espaços anatômicos. Posteriormente, procede-se à identificação e preservação dos feixes neurovasculares responsáveis pela função erétil. Seguindo-se então à liberação da próstata de suas aderências com a bexiga e uretra.
Finalmente, após a ressecção completa da glândula prostática, realiza-se a anastomose uretrovesical, reconectando a bexiga à uretra. Esta etapa é crucial para o restabelecimento da continuidade do trato urinário.
Cuidados pós-operatórios
Após a cirurgia de próstata o paciente permanece com sonda vesical por período que varia de 7 a 14 dias. Durante este período a antibioticoterapia pode ser mantida para prevenir infecções urinárias. Além disso, analgésicos e anti-inflamatórios são utilizados para controle da dor.
O retorno às atividades cotidianas ocorre gradualmente. Normalmente, atividades leves são liberadas após 2 semanas, enquanto exercícios mais intensos apenas após 6 semanas. Consequentemente, o acompanhamento médico regular é essencial para o monitoramento da evolução clínica e funcional.
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Novas tecnologias em cirurgia de próstata
Inteligência artificial e machine learning
As novas tecnologias têm impactado significativamente a cirurgia de próstata. Recentemente, pesquisadores desenvolveram algoritmos de inteligência artificial que reconhecem etapas cirúrgicas com 92% de precisão. Embora estes sistemas não substituam o cirurgião, auxiliam na padronização e melhoria da qualidade dos procedimentos.
PET-CT PSMA
O PET-CT PSMA representa um avanço revolucionário no diagnóstico e estadiamento do câncer de próstata. Esta tecnologia permite identificar metástases em fases iniciais, situação anteriormente impossível com métodos convencionais como ultrassonografia e tomografia computadorizada. Consequentemente, o planejamento cirúrgico torna-se mais preciso e individualizado.
Cirurgia de incisão única
Uma abordagem inovadora é a prostatectomia robótica de incisão única, onde todo o procedimento é realizado através de apenas uma incisão próxima ao umbigo. Embora ainda em fase de validação clínica, esta técnica promete reduzir ainda mais o trauma cirúrgico e acelerar a recuperação pós-operatória.
Critérios de indicação cirúrgica
A indicação para cirurgia de próstata baseia-se em múltiplos fatores. Primariamente, o estadiamento clínico do tumor é determinante, sendo a cirurgia indicada preferencialmente para tumores localizados (T1-T2) ou localmente avançados selecionados (T3a).
Adicionalmente, a expectativa de vida superior a 10 anos é critério fundamental. Igualmente importante é a avaliação do estado funcional do paciente e comorbidades associadas. Portanto, a decisão cirúrgica deve ser sempre individualizada, considerando os benefícios oncológicos versus os riscos de morbidade.
O escore de Gleason, obtido através da biópsia prostática, também influencia na decisão terapêutica. Tumores de baixo grau (Gleason 6) podem ser candidatos à vigilância ativa, enquanto tumores de alto grau (Gleason 8-10) frequentemente requerem tratamento cirúrgico imediato.
Resultados oncológicos e funcionais
Controle oncológico
A cirurgia de próstata apresenta excelentes resultados oncológicos quando indicada adequadamente. As taxas de sobrevida livre de recidiva bioquímica em 10 anos variam de 70 a 95%, dependendo do estadiamento inicial e características do tumor.
Independentemente da técnica utilizada – aberta, laparoscópica ou robótica – os resultados oncológicos são equivalentes. O que determina o sucesso do tratamento é principalmente a experiência do cirurgião e a seleção apropriada dos casos. Portanto, a escolha da técnica deve priorizar a minimização da morbidade sem comprometer a eficácia oncológica.
Preservação da função sexual
A preservação da função sexual é uma preocupação fundamental na cirurgia de próstata. A técnica de preservação dos feixes neurovasculares (nerve-sparing) permite a manutenção da potência sexual em 60 a 80% dos casos, dependendo da idade do paciente e características pré-operatórias.
A cirurgia robótica tem demonstrado superioridade na preservação da função sexual devido à visão magnificada e a precisão dos movimentos. Consequentemente, permite dissecção mais refinada dos feixes neurovasculares, minimizando lesões inadvertidas durante o procedimento.
Continência urinária
A incontinência urinária é outro aspecto crucial na avaliação dos resultados funcionais. Aproximadamente 95% dos pacientes recuperam a continência urinária completa em 12 meses após a cirurgia de próstata. Inicialmente, nos primeiros dias pós-operatórios, todos os pacientes apresentam algum grau de incontinência.
Atualmente, a recuperação da continência ocorre gradualmente, com 70% dos pacientes apresentando continência em 3 meses e 85% em 6 meses. Fatores como idade, técnica cirúrgica e experiência do cirurgião influenciam na velocidade de recuperação funcional.
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Complicações e riscos cirúrgicos
Complicações imediatas
Como qualquer procedimento cirúrgico de grande porte, a cirurgia de próstata apresenta riscos inerentes. As complicações imediatas incluem sangramento significativo (2-5%), lesão retal (0,5-2%) e complicações anestésicas.
A cirurgia robótica tem demonstrado redução significativa nas taxas de transfusão sanguínea (menos de 1%) comparada às técnicas convencionais. Além disso, reduz-se o tempo de internação, e a alta hospitalar ocorre frequentemente entre 24 e 48 horas.
Complicações tardias
As complicações tardias mais relevantes são a estenose da anastomose uretrovesical (2-8%) e a formação de hérnias incisionais. A estenose anastomótica manifesta-se por dificuldade miccional progressiva e requer tratamento endoscópico ou cirúrgico.
Futuro da cirurgia de próstata
Terapias personalizadas
O futuro da cirurgia de próstata caminha em direção à medicina personalizada. Testes moleculares permitem identificar pacientes com maior risco de progressão, auxiliando na seleção dos candidatos ideais para cirurgia. Ademais, perfis genéticos específicos podem predizer resposta terapêutica e prognóstico.
Realidade aumentada
Tecnologias emergentes, como a realidade aumentada, estão sendo desenvolvidas para auxiliar cirurgiões durante procedimentos complexos. Estas ferramentas proporcionam visualização tridimensional de estruturas anatômicas críticas, potencialmente melhorando a precisão cirúrgica e reduzindo complicações.
Quando procurar um urologista?

O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento do câncer de próstata. Homens acima de 50 anos, ou 45 anos com histórico familiar, devem realizar acompanhamento urológico regular. Sintomas como dificuldade miccional, jato urinário fraco ou presença de sangue na urina requerem avaliação imediata.
A cirurgia de próstata evoluiu significativamente nas últimas décadas. Atualmente, técnicas minimamente invasivas como a cirurgia robótica oferecem resultados oncológicos equivalentes à cirurgia convencional, porém com menor morbidade e melhor qualidade de vida.
Por fim, a incorporação dessas tecnologias no SUS representa um marco importante, democratizando o acesso a tratamentos de excelência.